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Fat Albert

Quero ver quem vai entender a imagem de hoje do post.

Para contar essa história, ativaremos nosso troço que volta no tempo e tchanz, voltamos ao passado. Mais precisamente em 2004, o ano internacional do arroz, onde achamos nosso tripulante, ainda inocente, com apenas 10 anos, coçando o saco na frente da cantina do colégio.

Se você, que só sabe como eu sou pelos ótimos desenhos que faço no paint em 2 minutos, não tem idéia do que imaginar para esta cena, irei te ajudar. Naquela época eu usava um cabelo enorme e terrivelmente nojento pela falta de banho. Um óculos estilo aquele desenho antigo, o laboratório de dexter, o matador aparelho de cavalo, que nada mais era do que aquele aparelho que saía pra fora da sua boca, dava uma volta pela tua cabeça e saía pelo teu cérebro, ou alguma coisa assim, baixo e gordo. E quando digo isso, quero dizer 1,50m pra menos, e uns 70 kilos.

Hell yeah, moderfucker, mamãe me achava bonito, e era tudo que importava.

E com essa imagem do inferno na tua mente, só falta imaginar essa coisa enorme e esquisita com uma camiseta do iron maiden e caçando moeda na mochila surrada pra comprar um salgado. Naquela época (como se fosse há muito tempo) os salgados eram grandes, com recheio e custavam R$1,20, diferentes dos de hoje, então era lindo ver aquelas moedinhas brilharem logo de manhã.

Exceto que não era manhã, era tarde. Alias, era fim da tarde. A aula já tinha terminado, e era mais ou menos 6 horas. Da tarde. Eu ainda me lembro que merda era estudar de tarde. Sério, dormir de manhã e a noite e estudar a tarde. Me sentia como um robô com apenas duas funções: dormir e estudar. Podia chamar isso de Hibernato, uma mistura de hibernar com internato. Há, piada retardada e nem estamos na metade do post, a tarde.

E era a tarde que começa nossa história de hoje. Como meus pais eram separados, ficava naquele negócio de uns dias eu passar com meu pai, e toda quarta era dia de ele me pegar na escola, pra ir pro apartamento tosco dele e comer pizza de supermercado ou coisa parecida. Geralmente ele chegava la pelas 6 horas, sendo que minha aula acabava 5 e meia, então eu tinha sempre um tempo de sobra pra fazer absolutamente nada.

E como bom gordo que eu era, perdia meu tempo comendo. Então, munido de um salgado de presunto e queijo em uma mão, um croissant de calabresa com catupiry na outra, ketchup segurado pelo mindinho e 20 e poucas balas no bolso, eu sentei sozinho numa das mesas da cantina e comecei a observar o movimento.

Foram os 10 minutos mais parados da minha vida. Nada aconteceu, ninguém estava la, e a mulher da cantina estava olhando pro nada tão entediada quanto eu, então acabei indo dar uma volta. Passei quase cinco minutos andando, até parar e recuperar o fôlego. Parei em frente a um espelho, e olhei para aquela figura revoltante no espelho, com a calça enorme com uma onda no bolso, que seria as balas, e metade de um croissant. Ketchup na bochecha e camiseta esticada pelas banhas.

E foi nesse momento que resolvi perder peso. E é isso ae. Dietas e academia, e mais ou menos alguns anos para chegarmos hoje, nesse dia lindo, onde pessoas me chamam de raquítico na escola.

E falar sobre minha gordura passada me leva nesta segunda parte do post, pra explicar o que a física tem a ver com gordos. É simples, e envolve o buffet. Pois bem, la estava eu, pensativo, tinha acabado de levar bronca porque uma criança resolveu se atirar na parede, achando que não dava pra piorar, quando entra um senhor obeso de gravata na festa. Puta que pariu, aquele cara fazia o mexicano de 600kg parecer sarado. Dava medo. As pessoas desviavam dele para não serem engolidas pelo mar de banha, e as crianças se seguravam para não pular la e se divertir de montão.

E na sua passagem pelo corredor, ele se aproxima de mim. Fuckitty fuck, eu comecei a suar. O medo, o horror, as tetas maiores do que qualquer mulher da festa. Encolhi-me num canto, pensando positivo. Eu já conseguia sentir o cheiro de pizza de calabresa no ar, quando ele se aproximou, e esbarrou num garçom que passou na hora, com uma bandeja cheia de refrigerante, cerveja e batidas de morango e creme. Tudo caiu em cima de mim. Até o garçom caiu em cima de mim. Senti minha roupa grudar, e o calor do gordo perto de mim, tampando todo ar puro que nossa mamãe natureza nos provém todo dia. O obeso mórbido apenas disse “desculpe” e seguiu seu caminho. Táquepariu, nem pra ajudar.

Fui trocar de roupa, só pra perceber que não tinha mais macacão P, que é o que eu uso. Só tinha G, que foi o que acabei pondo. Acabei amarrando bem, e segurando o macacão pra não cair por boa parte da festa, até chegar a hora da tal dança que eu já falei aqui, que tenho que fazer em toda a festa. Eu finalmente aprendi a dança, mas não conseguia demonstrar isso, com as duas mãos segurando o macacão, que, por desgraça da física continuava a cair. E foi no meio da dança, que tem uma parte que tem que pular e fazer uma fila e mimimi junto com os convidados, que o gordo “esbarrou” em mim, com tanta fragilidade, que me jogou em um monitor que dançava do meu lado, fazendo ele e eu cair em uma criancinha, que começou a chorar.

De cara no chão, me levantei, mas o macacão, que estava desesperado pra cair, acabou caindo. Então, com o gordo rindo, 120 convidados olhando pra minha cueca, uma criança chorando, os monitores sem saber o que fazer e minha chefe olhando feio pra mim de longe. Levantei meu macacão, e sem saber muito bem o que fazer, continuei dançando, sozinho, até perceber que era inútil dançar quando ninguém mais dança, e acabei voltando pra minha posição de monitor no brinquedo pelo resto da noite.

Isso foi a uma semana atrás, e ainda não me ligaram pra trabalhar em festas novas. Acho que fui despedido, e tudo graças a um gordo obeso que não sabe que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. O pior de tudo é não saber se fui realmente despedido, porque aquela porra de emprego é freelancer, então só me resta esperar uma ligação.

E é com esse post sem graça que eu abro minha primeira enquete do blog, só pra testar isso aqui mesmo. Votem, se joguem e dancem o Rebolation. Chamem pessoas pra votar, vote de novo, hackeie o sistema do WordPress e faça uma das respostas ter oito mil, setecentos e setenta e três votos.

Votem sem moderação.

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10 Comments

  1. Ainda não consigo parar de rir, coisa que me aconteceu quase o tempo todo enquanto lia. De longe, o melhor que li nos últimos muitos dias. E eu que queria queria um post sobre aula de física? Este foi muito além das expectativas!! O desenho quer dizer: se Einstein tivesse passado a infância comendo hamburguer, teria ficado como um cara de um seriado de tv que um amigo meu via e nem sei se continua passando; eu não lembro o nome…

  2. MELHOR POST EVER! Ri muito, demais. Ainda não vi sua magreza, preciso conferir esse fato inusitado. É bom ser magro, embora tenha seus lados ruins, como você descreveu. E, como diz o ditado: “gordo só faz gordice”. Continue escrevendo hilariamente como sempre e com os desenhos! 😀 Ps: Devo confessar, a melhor parte foi a da cueca. 😡 Ps2: Trapaceei na enquete, votei do meu iPhone e do meu PC. :3

  3. Magno, não há trapaça pois o autor já disse que a enquete é para votar “sem moderação” Vomo’ votar e votar!! 🙂

  4. Magno, não há trapaça pois o autor já disse que a enquete é para votar “sem moderação” Vamo’ votar e votar!! 🙂

  5. Se você ainda fosse gordo, seu macacão não ia cair.

    te fode aí magrão!

    Btw, bom post, acho que foi o melhor do blog até agora.

  6. mas agora estava pensando:

    Se você ainda fosse gordo, o macacão que você estaria usando seria o G, e no momento que o cara derrubasse as coisas em cima de ti, você, gordo, iria ter que usar o macacão P, que no caso, estaria sobrando, e você provavelmente não ia conseguir entrar nele, pois você seria gordo.

    Portanto, acho que você ainda se saiu na melhor.

  7. ^A não ser que tivesse mais um G sobrando, o que não ficou claro

    Bom post 😛 Também pensei que ia ter uma aula de física

  8. Só pra constar, tinha G sobrando =x

  9. ah, então ignore meu ultimo comentário.

  10. =)


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